COMUNICAR É PRECISO
Sindicalismo 2025:
Está na hora de mudar a conversa!
É inegável que os tempos mudaram. O sindicalismo, para continuar a ser uma força relevante e transformadora (ou reganhar essa força, se a perdeu), precisa de se reinventar na forma como fala, como se mostra, como se relaciona e como mobiliza os trabalhadores.
Basta de comunicação que só fala para os ativistas, para quem já está convencido! Se queremos recrutar novos sócios, se queremos ser tidos em conta no momento das negociações e se queremos ser vistos como uma força credível pelas direções das empresas e pela sociedade, precisamos de ter uma abordagem mais estratégica, cativante e acessível.
Porquê mudar? O que já não resulta!
A dura realidade é que os panfletos A4 ou mesmo A5, em Arial 11, que agora “modernaços” copiamos para um mail e para o Facebook – como os comunicados de imprensa a transcrever os textos dos panfletos para os jornalistas! – tantas vezes em “sindiquês” ou em linguagem jurídica, cheios de siglas que só os “do meio” entendem (atenção, eu próprio me confesso: escrevi tantas vezes com siglas…até descobrir que os de fora não sabiam o que eram!), em tiragens reduzidas e de difícil distribuição, já não chegam (quase) a ninguém.
Não estou a dizer que é fácil. Os eleitos não têm de ter qualificação para a área de comunicação ao nível exigente dos dias de hoje. Mas se recorremos a advogados, economistas, precisamos de olhar as nossas necessidades nesta área da comunicação.
Pensemos bem:
● Jovens trabalhadores: são do mundo digital, visual e interativo. Um A4 com sopinha de letras não os toca, pura e simplesmente ignorado.
● Trabalhadores precários isolados, independentes: Muitos sentem-se à margem, sem um contacto direto e regular com o sindicato (sendo também vítimas da comunicação antisindical dos grandes media).
● Trabalhadores reticentes, indecisos e observadores: Aqueles que hesitam em dar o passo e filiar-se, os que contam quanto custa a quota calculando o que beneficiam
também não sendo sócios, ou os que apenas observam de longe a ver até onde irão, precisam de ser convencidos, inspirados e sentir que a sua voz será ouvida.
O sindicalismo hoje é, sim, uma marca. Não no sentido comercial de vender um produto, mas no sentido político e social. A nossa imagem, o nosso tom de voz e a nossa forma de nos expressarmos são essenciais para a nossa legitimidade e capacidade de influência. Precisamos de transmitir profissionalismo e rigor, proximidade e, acima de tudo, relevância para o dia a dia dos trabalhadores.



