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Ainda distribuis tarjetas em papel?

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Ulises Garrido
Ulises Garrido

Comunicar é preciso

Ainda distribuis tarjetas em papel?

Ainda, com imensa dificuldade, distribuis papeis nos terminais de transportes, bem cedinho? Ou na entrada ou saída do trabalho? Isso é ótimo. Mas se essa é sua única ferramenta de comunicação… ela te decepciona! Você está fora de jogo. Ou jogando em preto e branco em um mundo colorido.

Num movimento sindical que se quer de massas, os papeis ainda não são dispensáveis. Mais, o escrito é mais preciso, o texto mais rigoroso, sua preparação mais refletida e elaborada. Os folhetos continuam úteis . Eles fornecem uma conexão direta, um contato humano e uma presença personalizada no terreno – é o representante sindical ou da CT que está lá, pessoalmente.

Mas sejamos realistas: hoje em dia, isso não é suficiente.

Enquanto o sindicato imprime textos densos em Arial 10 ou 11, muitas vezes sem leads com títulos mal enjorcados, custos elevados difíceis de suportar e processos “democráticos” (ou de controlo?) de aprovação lentos e ineficientes,  as administrações da grandes empresas, como o Governo, fazem vídeos impactantes, conteúdos tecnicamente bem elaborados, disseminados pelas redes sociais mais convenientes e pelos media,, além de comunicações internas capazes de entricheirar a verdade dos representantes dos trabalhadores, gerando na sua opinião desorientação e incertezas.

Mas e tu, que podes fazer?

O que podemos fazer? Um vídeo de “1 minuto” para explicar um acordo assinado, com suas palavras – a linguagem de quem trabalha! -, com a sua cara. Um rosto para responder às informações falsas que circulam nos corredores. Um formato “desmistificador” para explicar em termos concretos o que é preciso.

Um vídeo do campo : seu encontro com os trabalhadores, no serviço ou em uma visita às oficinas. Uma forma animada, pode registrar o diálogo, para explicar claramente o que anda mal compreendido.

Ou mesmo um vídeo da reunião ao vivo da comissão sindical. Onde decidem por exemplo acordar e explicam porquê, mesmo se com opiniões diversas. No mesmo sentido.

Não é preciso um estúdio. Basta um smartphone, um som que se perceba e uma mensagem clara. Sim, muito importante: mensagem clara. Pode ser repetida a ideia-chave 2 ou 3 vezes. Mas 3C: curta, clara e concisa. É tudo o que é preciso.

O folheto impresso deve permanecer, mas não pode mais ser autônomo, nem apenas brincar com um cartaz (estes cada vez menos vistos). É parte duma “campanha”, de acordo com uma estratégia de comunicação. É o ponto de partida. Não o fim. E atenção: não é uma boa prática disseminar nas redes o folheto impresso em tamanho reduzido! Isso jamais. Um texto e outro não são a mesma coisa.

Aliás, lembro que para ganhar as reivindicações e a negociação de 2026, você precisa existir antes disso, precisa planejar agora e se comunicar antes de chegar lá. O que queremos, precisa estar na mente dos trabalhadores. E para isso, as imagens são importantes, os displays contam. Os do computador, do celular… cada vez mais indispensáveis.

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