Solidariedade com os Trabalhadores da LUSA em luta por uma agência noticiosa independente e isenta!
Os trabalhadores da Lusa pararam no passado dia 12 entre as 10h e as 14h em protesto contra as alterações introduzidas pelo Governo nos estatutos da empresa que, acusam, colocam em causa a independência da agência de notícias face ao poder político.
A greve parcial incluiu uma manifestação convocada para a frente da sede do Governo, no Campus XXI, em Lisboa, e em frente à redação no Porto. Sob o mote “por uma Lusa isenta e livre”, exigem que sejam revistas as mudanças que o Governo impôs no funcionamento da agência.
A resolução aprovada pelo plenário que deliberou estas acções colectivas é esclarecedora da justeza das suas razões e reforça a necessária solidariedade de todos quantos defendem uma informação plural, isenta e não controlada pelo poder político e económico como fundamento de uma democracia saudável.
Resolução do Plenário de Trabalhadores da LUSA em 26 de Fevereiro de 2026
Os trabalhadores da Lusa, reunidos em plenário em 26 de Fevereiro de 2026 frente aos edifícios da agência em Lisboa e Porto, e nos restantes locais de trabalho, repudiam a forma como o Governo impôs o processo de reestruturação da empresa e o novo modelo de governação, pouco transparente e sem ter em conta a opinião de quem todos os dias garante o funcionamento da agência.
Os trabalhadores são os principais interessados num serviço de informação público de qualidade e, no entanto, foram colocados à margem de qualquer discussão sobre o futuro da Lusa.
O plenário é uma forte expressão pública deste descontentamento, num primeiro sinal, na rua, frente à sede enquanto símbolo da independência da agência.
Tendo em conta:
– Que os riscos de influência política e de governamentalização introduzidos pelos novos estatutos contrariam a proteção de independência que a Constituição portuguesa confere aos jornalistas e princípios consagrados pelo Regulamento Europeu de Liberdade dos Meios de Comunicação Social;
– Que o eventual plano de rescisões foi admitido sem se conhecer qualquer estratégia de reforço de quadros no território e nas delegações;
– Que foi admitida pela Administração uma mudança da sede para o edifício da RTP, cuja consequência será a diminuição da independência funcional da agência;
– E que a Administração e o Governo adiam a negociação do caderno reivindicativo, incluindo atualizações salariais;
Os trabalhadores reunidos em plenário:
Exigem a revisão dos estatutos da Lusa;
Rejeitam a mudança da sede para o edifício da RTP e sinergias que coloquem em causa a independência funcional da agência;
Exigem a imediata negociação do caderno reivindicativo;
Agendam uma manifestação frente à sede do Governo, em Lisboa, para o dia 12 de março, para dar expressão a estas reivindicações;
Mandatam os sindicatos para fazer chegar ao Presidente da República eleito, aos partidos com assento na Assembleia da República, ao Governo e ao Provedor de Justiça estas preocupações e exigências.
A resolução foi aprovada por larga maioria dos trabalhadores presentes, tendo contado com 102 votos a favor e 1 abstenção.