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Em tempos de alta inflação, como negoceiam os sindicatos?

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Um estudo da UNI Europa intitulada All Rise – Aumentos Automáticos de Salários em Acordos Coletivos na Europa analisa como os sindicatos negociam em tempos de alta inflação. 

Na Europa temos sofrido um aumento repentino no custo de vida desde 2021. Causado por interrupções na cadeia de produção e fornecimento, devido à pandemia de COVID-19, pelo aumento dos preços da energia após o conflito na Ucrânia e pelo aumento dos lucros da empresas, a inflação atingiu dois dígitos em muitos países. O impacto no poder de compra dos trabalhadores é enorme e, portanto, é um tema primordial na negociação coletiva. 

Os sindicatos costumam negociar aumentos salariais fixos. No entanto, em tempos de inflação alta e imprevisível, essa abordagem é contestada. Uma potencial solução é a implementação de aumentos salariais (semi-)automáticos vinculados à inflação. Esses sistemas são chamados de ‘indexação salarial automática’ (ou cláusulas COLA). 

Ao incluir cláusulas nesse sentido nos acordos coletivos, os salários são ajustados às taxas de inflação futuras, proporcionando segurança salarial em termos reais e flexibilidade em termos nominais. O poder de compra dos trabalhadores está garantido, mesmo sob alta inflação. Ao mesmo tempo, as partes não sabem exatamente quanto os salários vão aumentar ao longo do período negociado. Durante períodos de inflação mais alta, os sistemas de indexação salarial ou cláusulas COLA geralmente se tornam mais populares. 

O relatório da UNI Europa mostra, em primeiro lugar, que em muitos países os sindicatos estão atualmente experimentando tais cláusulas. Ao mesmo tempo, a diversidade de sistemas é considerável, tanto no alcance, quanto na forma como os salários são atrelados à inflação. No entanto, embora a disseminação de sistemas de indexação salarial seja mais ampla do que se pensava anteriormente, ela permanece ausente em vários países onde os parceiros sociais são contra o uso de tais cláusulas em acordos coletivos – como julgo ser o caso de Portugal – mas de que resultam prejuízos objetivos para os trabalhadores. 

Dando exemplos concretos de como a negociação coletiva pode contribuir para o combate aos efeitos da alta inflação, o relatório visa ajudar os sindicatos a encontrar as melhores soluções. 


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